O CILINDRO DO DRAGÃO - TRAVESSIAS
O livro de Alexandre César Felício, A Guerra Secreta, é uma obra instigante. Pega
o leitor e o prende do começo ao fim, numa narrativa fluente, de linguagem fácil
que envolve e seduz à primeira entrada. O nascimento predestinado de irmãos gêmeos,
envolto em cumplicidades de quem aceita porque sabe e de quem foge porque tem um
projeto, leva o leitor desde o início, a aceitar a trama que ele suspeita e a acompanhar
os personagens em suas peripécias e aventuras e torcer, até o fim, que a atuação
dos meninos seja coroada de êxito.
Narrativa de ação, aliás, de muita ação, joga
com o plano da realidade e o do sonho em complementaridades que respeitam os limites
tanto de um tempo real, quanto de um tempo fora do tempo, não marcado pelo relógio;
enfim, um tempo outro, o das coisas mágicas, o da mente, o moldado às necessidades
das travessias de portais invisíveis que se abrem ao impulso mágico de instrumentos
e ao poder de fórmulas e leva os personagens para o mundo do imaginário e da revelação
das potencialidades de suas mentes. Mundo dividido entre o bem e o mal, entre as
luzes e as trevas, entre as energias positivas e as negativas. A demanda proposta
é a destruição do mal, o aniquilamento das Legiões das Trevas, usando como ferramenta
de vitória, a acumulação da “boa raiva”, que, sustentada pela Justiça, pela Honra,
pela Coragem e pela Indignação diante do poder que escraviza e mata, move para a
frente e conduz à vitória, por via do humano.
A narrativa dialoga com o mundo maravilhoso
dos mitos e das lendas, atualiza na vertiginosidade da ação, a face tanto da tradição,
representada pela nomeação dos personagens e dos lugares, ( o Labirinto, Sophos,
Quimera, Daniel, Nailus, Akilah ) quanto do imaginário cibernético caracterizado
pela desmaterialização, levitação, espadas de luz, mentalização telepática de comunicação,
teletransportamentos.
Além da trama, o que também envolve o leitor é a boa escrita
do autor. Linguagem objetiva, contundente, feita de parágrafos curtos, de frases
em estilo telegráfico, na medida certa do fôlego do leitor juvenil. Alexandre sabe
ser um bom contador de história. Não perde os fios da meada e nem deixa o leitor
perdido ou sem respostas, ainda que as respostas sejam, de novo, uma expectativa
e uma continuidade. O leitor fica querendo mais porque sabe que há fios que devem
ser reatados.
Valdevino Soares de Oliveira
Professor Doutor pela
UNESP / Uniban